corrói-me com teus olhos tão devassos
velando, mais sedento qual quimera
meu sangue a ensalitrar com negra inveja
não temo esconjurar: sinto-me me morto
- ao partir sem retorno!
Arranca de tua teia meus pertences
não devo mais à terra minha semente
Pressinto em pesadelos, novos ares
não belos, mas esperançosos lares
e a mácula da carne aflora ao rosto
- e diz: partir sem retorno!
Não cabe em mim o fel do desengano
Ao fim dos descaminhos, falhos planos
ao fim do riso, o choro ensanguentado
ao fim da vida, um túmulo cravado
sepulto, encerra um fétreo já oco
- e nele, a partir sem retorno!
Enlaçemos nossas mãos, façamos preces
aos anjos não clamei pois não merecem
ao tempo não pedi mais que a dormência
Não há quem sentirá minha tola ausência
entrego ao deus dos dias frágil corpo:
- e me deixe partir sem retorno!






























































